15 June 2019

O que são Call Legs

Toda chamada que passa por um voice gateway entra por um call leg e sai por outro call leg. Você pode traduzir leg” como perna”, mas o termo adequado neste caso seria trecho” ou etapa”. Vamos entender por quê.

Considere um usuário de telefonia numa rede corporativa. Ele tem permissão para fazer ligações entre ramais e também para a PSTN. Não se importe em imaginar uma rede formada por CUCM ou Callmanager Express; pense apenas que esse usuário pode realizar ligações para fora de sua localidade, sejam destinadas a outros ramais (em outra localidade) ou à PSTN.

Figura 1

A figura acima ilustra o cenário. O usuário no ramal 2220 (RJ) está fazendo uma ligação para o ramal 5560 (SP). Observe que o ramal de SP está associado a um telefone analógico conectado via FXS no voice gateway.

Para a ligação sair de 2220 e chegar em 5560, o voice gateway do RJ deve processá-la em dois call legs: um para a entrada no gateway através da interface GigabitEthernet0/0, e o outro para a saída do gateway através da interface Serial0/0. No voice gateway de SP deve ocorrer a mesma coisa: um call leg para a entrada através da interface Serial0/0, e o outro para a saída através da porta FXS. O cenário ficaria da seguinte forma:

Figura 2

No RJ:

  1. O usuário no ramal 2220 liga para o ramal 5560.
  2. A chamada entra no voice gateway pela interface GigabitEthernet0/0.
  3. O voice gateway associa a chamada a um call leg IN (INcoming).
  4. O voice gateway associa a chamada a um call leg OUT (OUTgoing).
  5. A chamada sai do voice gateway pela interface Serial0/0.

Em seguida, a chamada trafega pela rede WAN até chegar ao voice gateway de SP:

  1. A chamada entra no voice gateway pela interface Serial0/0.
  2. O voice gateway associa a chamada a um call leg IN.
  3. O voice gateway associa a chamada a um call leg OUT.
  4. A chamada sai do voice gateway pela porta FXS.
  5. O telefone com ramal 5560 recebe a ligação.

A ligação entre 2220 e 5560 passou por quatro call legs, dois no RJ e dois em SP. Mas além disso, temos que identificar se os call legs estão apontados para uma rede VOIP ou para uma rede POTS. As ligações que trafegam dentro de uma rede IP, onde a voz é transmitida em pacotes, são chamadas VOIP (Voice Over IP). Já as ligações que trafegam por uma rede telefônica tradicional, como a PSTN ou redes com aparelhos analógicos, como é o caso de SP, são chamadas POTS (Plain Old Telephone Service). Em nosso cenário temos duas redes VOIP e uma conexão POTS:

Figura 3

Observe que três call legs apontam para as redes VOIP e um aponta para a conexão POTS. Essa visão é importante para a configuração e identificação dos dial peers usados em uma ligação. No caso do RJ teríamos dois dial peers VOIP — um associado ao call leg IN e o outro ao call leg OUT. Em SP também teríamos dois dial peers, mas um VOIP associado ao call leg IN e o outro POTS associado ao call leg OUT. Falaremos sobre dial peers em outro artigo.

Se o ramal 5560 ligasse para 2220, a chamada também teria quatro call legs:

Figura 4

Em SP teríamos um call leg IN apontando para a conexão POTS e um call leg OUT apontando para a rede VOIP. No RJ teríamos um call leg IN e um call leg OUT, ambos apontado para as redes VOIP.

Tenha em mente que os call legs são apenas abstrações usadas para identificar o fluxo de uma ligação. Não configuramos call legs, mas eles são usados como bússolas na configuração dos dial peers.

Vamos analisar outro cenário:

Figura 5

Temos uma ligação formada por dois call legs, um IN e o outro OUT. As ligações originadas na rede IP são formadas por um call leg VOIP IN e um call leg POTS OUT. Já as ligações originadas na PSTN contam com um call leg POTS IN e um call leg VOIP OUT. Sempre analise os call legs na perspectiva do voice gateway.

Agora que já sabemos o que são call legs, podemos configurar os dial peers necessários a todas as ligações que passam pelo voice gateway. Por exemplo, com base no cenário acima (MG), para todas as ligações originadas na rede corporativa e destinadas a números fixos locais na PSTN, teríamos:

dial-peer voice 1 voip
 incoming called-number .
!
dial-peer voice 2 pots
 destination-pattern 0[2-6].......$
 port 0/0/0:0
 forward-digits 8

O dial peer 1 (VOIP) estaria associado ao call leg IN, e o dial peer 2 (POTS) estaria associado ao call leg OUT. A ligação originada no IP Phone dentro da rede local entraria no voice gateway pela interface GigabitEthernet0/0 e seria associada ao dial peer 1. Em seguida, o voice gateway rotearia a chamada para a voice port 0/0/0:0 (link E1) através do dial peer 2.

Para uma ligação originada na PSTN com destino à rede corporativa, os seguintes dial peers seriam usados:

dial-peer voice 3 pots
 incoming called-number .
 direct-inward-dial
!
dial-peer voice 4 voip
 destination-pattern 3...$
 session target ipv4:192.168.10.10

O dial peer 3 (POTS) estaria associado ao call leg IN, e o dial peer 4 (VOIP) estaria associado ao call leg OUT. A ligação chegaria ao voice gateway através da voice port 0/0/0:0 e seria associada ao dial peer 3. O voice gateway, então, enviaria a chamada para o CUCM (192.168.10.10) através do dial peer 4.

Abordaremos a configuração de dial peers em outro artigo.

Espero que esta explicação tenha lhe ajudado a entender o que são e para que servem os call legs em ligações que passam por um voice gateway. Se você tiver qualquer crítica ou sugestão, me envie uma mensagem via carlos@wolkartt.com.

Fique à vontade para compartilhar este artigo. Peço apenas que referencie o autor e este blog como fonte.

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